Alerta ao consumidor

Número oficial no visor pode ser golpe: falsa central usa spoofing para ganhar confiança

A identificação exibida na tela não basta para provar quem está ligando. A interrupção imediata do contato continua sendo a defesa mais segura.

Redação ATDC · 10 de agosto de 2026 · Leitura de 6 min
Pessoa evita atender uma ligação suspeita em um telefone celular
Imagem ilustrativa produzida para a Redação ATDC.

A falsa central bancária ganhou versões mais convincentes. Criminosos podem usar o spoofing para mascarar a origem da chamada e fazer aparecer no visor um número conhecido ou aparentemente oficial. A Anatel confirma que essa adulteração existe; a Febraban alerta que os fraudadores usam o recurso para induzir clientes a entregar dados ou autorizar operações.

O número no visor não é prova de identidade

No spoofing, a informação apresentada como origem da ligação é manipulada. A chamada pode parecer vir do banco, da agência ou de uma empresa conhecida, mesmo quando foi iniciada por um criminoso.

A abordagem costuma começar com uma suposta compra suspeita, invasão da conta ou atualização de segurança. Depois, o golpista tenta criar urgência para que a vítima informe códigos, instale um aplicativo, confirme transações ou transfira dinheiro para uma alegada “conta segura”.

Regra prática: não confirme dados nem execute instruções durante uma ligação recebida. Desligue e procure o banco por iniciativa própria, dentro do aplicativo oficial ou em um canal conferido por você.

Pedidos que devem encerrar a conversa

  • senha completa, token ou código recebido por SMS;
  • instalação de aplicativo de acesso remoto ou “proteção”;
  • transferência para conta de segurança, teste ou regularização;
  • confirmação de compra no aplicativo para supostamente cancelá-la;
  • entrega ou retirada de cartão por mensageiro.

Como verificar sem continuar exposto

  1. Desligue a chamada sem discutir com o interlocutor.
  2. Abra o aplicativo do banco por conta própria e confira alertas e movimentações.
  3. Se precisar telefonar, use o contato que você mesmo consultou no aplicativo, no cartão ou no site oficial.
  4. Não retorne para o número informado na mensagem ou durante a ligação suspeita.

Se alguma operação já foi feita

Comunique imediatamente o banco pelo canal oficial e solicite o bloqueio ou a contestação cabível. Se houve Pix associado a fraude, peça a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED). O pedido não garante ressarcimento, porque a análise e a existência de saldo na conta recebedora influenciam o resultado.

Guarde capturas de tela, horários, números, comprovantes, protocolos e mensagens. Registre boletim de ocorrência e, se o atendimento não resolver, avalie os canais do Consumidor.gov.br, Procon e Banco Central, conforme o tipo de problema.

O olhar da Associação

A cautela do consumidor é importante, mas não substitui o dever de bancos e operadoras de manter mecanismos adequados de autenticação, detecção de fraude e atendimento rápido. Cada caso precisa ser analisado pelas provas disponíveis; não é correto presumir automaticamente culpa da vítima ou prometer reembolso.

Apuração e referências: orientações e descrição técnica confirmadas pela Anatel — golpes atuais e spoofing; medidas de combate em vigor descritas pela Anatel — combate ao spoofing; formas recentes da fraude detalhadas pela Febraban — golpe da falsa central. Texto original da Redação ATDC.
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