
O Ministério da Saúde publicou um alerta sobre mensagens falsas que usam o nome do Departamento Nacional de Auditoria do SUS, o DenaSUS. A abordagem chega pelo WhatsApp, anuncia uma suposta inspeção sigilosa e oferece interferência ou alteração de documentos para evitar problemas na fiscalização mediante vantagem financeira.
Quem está sendo abordado
Segundo o comunicado oficial, os criminosos têm procurado secretários e gestores de saúde estaduais e municipais. O risco, porém, interessa também a equipes administrativas, conselhos de saúde, fornecedores e profissionais que podem receber ou encaminhar a mensagem sem perceber a fraude.
O Ministério informou que o caso e a documentação reunida foram encaminhados à Polícia Federal e a outras autoridades. Isso confirma a existência do alerta, mas não significa que toda mensagem sobre auditoria seja falsa: a verificação deve ocorrer pelos procedimentos e contatos institucionais.
Como funciona uma comunicação legítima
Auditorias do SUS seguem protocolo técnico e trâmites institucionais. Depois de definido o trabalho, a Secretaria de Saúde estadual ou municipal e o respectivo Conselho de Saúde são oficialmente informados. Demandas podem chegar ao DenaSUS por canais institucionais, como o Sistema Eletrônico de Informações, o SEI, e a Ouvidoria do SUS por meio do Fala.BR.
Uma mensagem isolada no WhatsApp, acompanhada de urgência, cobrança ou proposta de “resolver” documentos, não substitui esses procedimentos.
O que fazer ao receber a abordagem
- Não realize pagamento, Pix, depósito ou transferência.
- Não envie documentos, cadastros, senhas, códigos ou informações da gestão.
- Não clique em links nem instale arquivos recebidos na conversa.
- Salve capturas completas, número de telefone, data, horário, perfil e arquivos encaminhados.
- Confirme a informação com a chefia, a assessoria jurídica e os canais institucionais do órgão.
- Registre a ocorrência nos canais competentes e entregue as provas para apuração.
Se houve pagamento ou envio de dados
Entre em contato imediatamente com a instituição financeira pelos canais oficiais, explique que se trata de fraude e peça protocolo. Registre boletim de ocorrência e preserve comprovantes, conversa, número utilizado e dados da conta destinatária. O banco poderá orientar as medidas disponíveis para o meio de pagamento; o resultado depende da análise do caso e não deve ser prometido antecipadamente.
Se documentos, credenciais ou informações internas foram compartilhados, comunique também a área de segurança da informação e a autoridade responsável pela proteção de dados na instituição. Troque credenciais expostas pelos procedimentos oficiais e verifique acessos indevidos.
Como evitar que a mensagem circule internamente
- defina quem está autorizado a receber e validar comunicações de auditoria;
- oriente equipes a interromper qualquer conversa que envolva cobrança ou vantagem;
- use um segundo canal oficial para confirmar contatos inesperados;
- não encaminhe a fraude em grupos sem explicar claramente que se trata de alerta;
- mantenha protocolos, documentos e decisões em sistemas institucionais.
O olhar da Associação
Fraudes que imitam órgãos públicos exploram autoridade, urgência e medo de sanções. A melhor resposta é retirar a decisão do aplicativo de mensagens: não pagar, não fornecer dados, registrar tudo e confirmar a comunicação fora da conversa recebida. Transparência e rastreabilidade protegem o patrimônio público, os profissionais envolvidos e a continuidade dos serviços à população.
